Cientistas do Weizmann desenvolvem teste simples que permite a pacientes vegetativos recuperarem a consciência

Todos os pacientes inconscientes, com lesões cerebrais, que responderam a um “teste de cheiro”, desenvolvido pelos pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências, de Israel, recuperaram a consciência durante o período do estudo, que durou quatro anos.

O estudo, conduzido por cientistas do Instituto Weizmann e publicado na revista Nature, concluiu que, se uma pessoa inconsciente responde ao cheiro através de uma pequena mudança em seu padrão do fluxo de ar nasal, é provável que ela recupere a consciência. Segundo os cientistas, este teste simples e barato pode ajudar os médicos a diagnosticar e determinar com precisão planos de tratamento de acordo com o grau de lesão cerebral dos pacientes.

Após lesão cerebral grave, muitas vezes é difícil determinar se a pessoa está consciente ou inconsciente, e os testes diagnósticos atuais podem levar a um diagnóstico incorreto em até 40% dos casos.”O diagnóstico errado pode ser crítico, pois pode influenciar a decisão de desconectar os pacientes das máquinas de suporte de vida”, explica o Dr. AnatArzi, que liderou a pesquisa.

O estudo incluiu 43 pacientes com lesões cerebrais no Hospital de Reabilitação de Loewenstein. Os pesquisadores colocaram brevemente frascos contendo vários odores sob as narinas dos pacientes, incluindo um cheiro agradável de xampu, um cheiro desagradável, ou nenhum odor. Ao mesmo tempo, os cientistas mediram precisamente o volume de ar inalado pelo nariz em resposta aos odores. Cada frasco foi apresentado ao paciente dez vezes em ordem aleatória durante a sessão de teste, e cada paciente participou de várias dessas sessões.

“Surpreendentemente, todos os pacientes classificados como em ‘estado vegetativo’ que responderam ao teste, mais tarde recuperaram a consciência, mesmo que de forma mínima. Em alguns casos, o resultado do teste foi o primeiro sinal de que esses pacientes estavam prestes a recuperar a consciência – e essa reação foi observada dias, semanas e até meses antes de qualquer outro sinal”, afirmou Arzi.

Além disso, a resposta ao teste não só previu quem iria recuperar a consciência, mas também previu com cerca de 92% de precisão quem sobreviveria por pelo menos três anos. “Diagnosticar o nível de consciência de um paciente que sofreu uma lesão grave na cabeça é um grande desafio clínico. O teste de cheiro que desenvolvemos pode fornecer uma ferramenta simples para enfrentar a questão. O fato desse teste ser simples e barato torna-o vantajoso, além de que ele pode ser realizado ao lado do leito dos pacientes sem a necessidade de movê-los – e sem máquinas complicadas”, concluiu Arzi.